A economia, enquanto teoria, não possui as ferramentas para se pensar a si mesma. Também a religião a física ou a biologia não são capazes de pensar os seus fundamentos. A epistemologia é, na filosofia, a capacidade de o homem pensar os limites e a validade do conhecimento. Numa rápida espreitadela à Wikipédia podemos ler: “A epistemologia estuda a origem, a estrutura, os métodos e a validade do conhecimento, motivo pelo qual também é conhecida como teoria do conhecimento”. A filosofia é a capacidade que todos temos para a crítica racional e o questionamento, não uma disciplina inútil e decadente. A abordagem não epistemológica da economia leva ao seu fechamento numa ideologia que não se reconhece como tal.
Incapaz de pensar os seus próprios limites, crenças e pressupostos, a economia encerra uma série de teorias contraditórias. Veja-se por exemplo a opinião de Paul Krugmann (Nobel da economia 2008) num artigo traduzido e publicado hoje no El País. Afirma este que os cortes na despesa dos estados são um erro, por levarem à diminuição do consumo. Devem os estados primeiro aumentar o emprego para promover o aumento do consumo e assim possibilitar o crescimento. Até parece bem… mas não é. Assim como o seu contrário também se mostra ineficaz, o que nos deixa numa profunda incerteza.
O problema não está na confrontação entre teorias económicas mas antes no quadro mental onde a maioria destas teorias assenta: a ideia de crescimento. Sabemos que o crescimento económico se dá à custa do consumo e este da exploração intensiva de recursos naturais finitos. Tal é, como se diz agora, insustentável. Na verdade a própria ideia de “crescimento sustentável” assenta numa contradição. Se crescimento significa consumo e PIB, então este terá de parar um dia, talvez estampado na parede da falta de recursos, no desastre ecológico ou nas alterações climáticas. Se crescimento significar desenvolvimento humano, cultural, paz e alimentação para toda a humanidade, então este poderá ser sustentável.
Os economistas (com raras excepções) discutem tudo dentro de um casulo conceptual. O “economismo” tal como o comunismo, a psicanálise ou o capitalismo, são teorias totais no sentido em que toda a realidade cabe dentro de si e é pensada dentro dos seus quadros ideológicos. Como se sai disto? Por uma espécie de revolução copernicana, diria.
Também a população, ainda que à rasca, não percebe (ainda) que não vale a pena esperar que a crise passe, que não vale a pena clamar contra a precariedade, sem promover a mudança de paradigma social. E que esperar a retoma económica sem profundas alterações de estilo de vida, é mais do mesmo. O desafio está em encontrar um novo modelo social, para lá das querelas pseudo-técnicas da economia.
As pistas estão por aí para quem as quiser (ou souber) ler.
1 comentários:
Gostei muito.
Eduarda
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